domingo, 12 de dezembro de 2010

"O cheiro do seu cheiro não me deixa em paz."...lembra dessa?

Se meu cheiro tem algo de masculino deve ser teu sexo. Sua insegurança que impregna na minha pele e me faz querer gritar. Deve ser de todo esse medo contido, esse amor reprimido, essa fala distorcida e sem nexo que você diz. Por que tudo isso cheira, e fede.
Meu perfume é o teu próprio, meu bem. Pego pelo próprio veneno. Não gostou? Cheirava tua covardia que impede o reconhecimento
Agora se quer saber do meu cheiro mesmo, saiba que cheira entrega. Entrega de corpo, de alma, de traumas e medos. Entrega de 21 gramas. Da “Insustentável leveza do ser”. Somados à quase 50 quilos.
Cheira o primeiro amor, daqueles de filme. Cheira risadas, beijos e abraços. Cheira cervejas, viagem e momentos. Não é de ralo o cheiro daqui, meu caro. É de flor, ainda que de pano. E enquanto você falava o suor deve tê-lo transformado. Não sei, essa é apenas uma explicação. Uma tentativa de sustentar aquilo que despenca, que desmancha.
Eu sou de carne, sabia? Aqui bate aquele troço... Ah, o coração. E nele, em meio a sangue, veias e músculo cabe um tanto bom de amor. E se eu espremer um pouco cabe você todinho aqui. Só que tem que tem que vir sem cheiro, perfumes ou disfarces. Venha você que te encaixo nele. É do seu número.
Mas antes quero que saiba de uma coisa: que o amor é renuncia e eu reconheço isso. E se não por isso jamais teria deixado pra trás o que me prendia no passado. Pode soar meio hipócrita vindo de boca de historiadora, mas é a mais pura verdade.
O que me prende nessa insistência é a certeza de que também houve renúncia vinda daí, e isso prova o sentimento. E isso alimenta tudo.
Me espera que eu te espero, por que eu ainda acredito na gente.

“Se teu pão, ser tua comida. Todo o amor que houver nessa vida. E algum trocado pra dar garantia...”.

terça-feira, 9 de novembro de 2010

Strani Amore

Se hoje eu pudesse te pedir uma coisa, pediria seu olhar. Mas queria que ele viesse despido, sem desculpas ou joguinhos. Queria ele puramente, como que se nada mais no mundo pudesse cobrir a sinceridade que nasce do sentimento.
Mas há um cadinho de cada coisa na sua fala, entende?Eu não sei se mais ou menos de qual, mas eu sei que é despedaçado, picado. Não há nada de inteiriço ai, meu amor. E eu tento reconstruir, mas os cacos tem me ferido constantemente. Como se penetrassem em minha pele e se transformasse em algodão depois, a fim de sanar a dor antes mesmo que se estancasse o sangue. Mas eu não quero assim, eu não posso assim. Eu quero o algodão por cima da pele lisa, sem cortes. E que o sangue escorra levando a dor pra depois a gente tentar estancar juntos, sem ilusões.
Talvez eu não devesse te pedir nada, mas é que não consigo ser menos eu. E eu sou assim, com algumas cobranças que pra mim são naturais a quem ama. Com necessidades. E eu não quero que ninguém mais as cubra... Eu quero você. Mas não faz assim... Fique aqui por mais um tempo e deixe que meu corpo e o seu se una em um só, que nossas almas se encostem e se sintam mais. Deixa que depois te dou um trocado, te pago por isso. Só não saia assim agora, sem mais comentários ou explicações. Reza pra São Benedito, bobo!Quem sabe não te ajuda a centrar essa cabeça flutuante. Por que ela anda como se só tivesse asas, mas dessas sem direção, perdida, que rodopia de um lado pro outro sem poder alçar um vôo realmente. Meu coração também andou assim por esses tempos, sabia?Confuso, querendo o mundo. E não adianta dizer que tudo mudou de repente pq estaria mentindo. Na verdade ele ainda vive um processo. Lembra do papo da meretriz que do amor ficou cansada?Talvez seja isso, e os videntes que me confirmem. Mas é que meu coração de vazio ás vezes parece grande, e a náusea que ele me dá – como estômago de menino com lombriga – me faz querer enchê-lo até onde puder, até quase transbordar. Mas dessa vez eu me cansei de inundações e quero tudo nos conformes. Plausível, possível, palpável.

“E lo aspetti ad un telefono
Litigando che sEi libero
con il cuore nello stomaco
Un gomitolo nell'angolo
Lì da solo, dentro un brivido
Ma perché lui non c'è

E sono strani amori che
Fanno crescere e sorridere
Tra le lacrime
Quante pagine lì da scrivere
Sogni e lividi da dividere
Sono amori che spesso a questa età
Si confondono dentro a quest'anima
Che si interroga senza decidere
Se è un amore che va per noi “

terça-feira, 22 de junho de 2010

Cadê?

Acontece que meu coração não sabe chorar.e muito menos alegrias ele pode ter.não assim,cercado de regalias.ele precisa sangrar um pouco antes. mal de poeta.as músicas que invadem meus ouvidos nas maioria das vezes tem me feito prisioneira de um mundo que sonho viver um dia...talvez pq já o vivi e agora,distante de toda e qualquer poesia,não sei onde encontrá-lo.
Ontem,enquanto lembrava de coisas passadas e de risos amigos (fique em paz,jow) pude perceber que a mudança juvenil é uma constante a qual não há como escapar.o mesmo peito que já foi carregado de cores e amores encontra-se agora,mesmo que por alguns momentos apenas,inundado pelo espírito da verdade.nada de mentiras ou ilusões.a vida como ela é.e isso é difícil,sabiam?
A menina não está aqui.mas talvez ela volte,amanhã ou depois.

segunda-feira, 3 de maio de 2010

A Ana é azeda,mas é doce quando é doce.

(Pra você que só me lê escondido...)
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Eu gosto de como você fala. Eu gosto de saber que você escolheu as coisas certas, que optou por sua felicidade e não pela convenção social. Eu gosto de como seu cabelo cresce rápido e combina com estes olhos que mais parecem dois limõezinhos. Eu gosto de como você sempre sabe o que fazer e sempre compra a roupa mais bonita pelo menor preço.Eu gosto de como você dança depois de beber uma mega melancia atômica.Eu gosto de como você diz “te amo” por gestos e de como você esconde tão bem seus sentimentos,mesmo eu tendo o dom de vê-los ainda assim.E eu gosto de relembrar as brincadeiras de infância:da pamonha velha à Telemig.
E tem sua covinha,seu sorriso,seu jeito,sua comida,seus conselhos,seu abraço (recuado sempre)... Eu gosto de te ter por perto.De saber que a distância não muda o sentimento e que por mais que o mundo entre em colapso o meu sangue ta ai e o seu aqui
O que eu não gosto é quando você diz que eu estou me tornando uma estranha.Pq se quer saber,isso é impossível.Pelo menos pra mim,você jamais será uma.Pq eu te conheço por dentro,lá no fundo.Eu sei sua risada e seu choro;eu sei a grossura do seu cabelo;o que te faz feliz;o que te faz raiva – e isso por vezes é de grande valia.Eu sei.
E você também sabe....Isso pq a gente transcendeu o conceito de fraternidade.A nossa fome,mesmo que de formas diferentes,pela mudança e pelo novo,nos levou à um caminho diferente dos traçados pelos outros irmãos no mundo.Hoje somos mais,muito mais.Pq eu sinto quando olho no seu olhar e quando te abraço que somos tudo isso.
E a cada dia que passa,a cada saudade que aumenta,a cada conversa e segredo contado, eu confirmo tudo que eu sempre soube:que eu te amo e que não poderia viver sem você.Você é meu contraponto.Sem você seria como se todo meu ser fosse sim ou não,branco ou preto.Não existiria o equilíbrio,o outro lado.Sem você talvez eu não existisse.Pelo menos não essa aqui.E mesmo com toda minha insegurança,todo meu jeito confuso de querer abraçar o mundo e nunca saber que roupa ou sapato ir nas festas de 15 anos eu sou completamente segura em nossa relação,pq nela não resta dúvidas.A gente se ama,a gente nem sempre se entende mas a gente sempre se perdoa.A gente é irmã.
Eu gosto de ter você e não gosto da idéia de um dia te perder.Fica assim e aqui pra sempre,chatura?

quarta-feira, 24 de março de 2010

Pra Amanda Palmer.

(obs.:não "entendível" por qualquer um.)



Ah,Amanda!Por que ir embora tão cedo?Justo agora que já tinha me acostumado com todas suas cores - ainda que daltônica e confusa às vezes.Queria de novo suas sobrancelhas e toda sua irreverência,mas você me traiu Amanda.Trocado por Neil.Ou seria por Pelotas?Uberlândia,Campinas,São Paulo e Porto Alegre?Mas o fato é que você não está aqui,comigo.
Eu ainda tento te carregar no bolso,sabia?Na minha caixinha de vida onde carrego meu sangue (não aquele vermelho,clichê.o outro,o que corre nas veias da minha alma jovem.)
Bobagem minha na verdade.Ora bolas,você nunca foi carregável.Não assim,com toda essa facilidade.Precisava era de ter permanecido quietinha aqui,senhorita,e futura senhora, Amanda.Na minha alma,isso sim.E de lá nunca ter saído.
Quer saber de uma coisa?Deveria eu ter cuidado disso.Ou melhor,mandado minha mãe cuidar.Não que ela entenda desse nosso estilo - coitada de mim;seu estilo.Não que ela siga aquela religião onde a única regra é amar ou entenda sobre morder a mão e coisa e tal.Mas de uma coisa ela entende:chaves.E ela,caso eu tivesse pedido a tempo,teria feito um baú pra te guardar e depois eu deixaria a chave na papete da Camila!Ah,mas por que eu não pensei nisso antes?Agora tô eu aqui,correndo atrás de você e você correndo de mim.

sábado, 27 de fevereiro de 2010

Feito para enfeitar.

-Que Vida é essa que traz dor?Que surpreende com a imensidão de sabores e finais (in) felizes?Vida estranha. Estranha Vida. Vida que adentra vida pra vivenciar as inconseqüências.e seria eu a Morte?Cheia de rancor e moralidade?Minha poesia mais parece um conto de Vincent Price e meus monstros são tão reais quanto suas palavras ditas no canto da sala.
Como pode, Vida e Morte?
Mesmo cercada de falas e risadas foram feitas pro silêncio. Pros sonhos. Esporadicamente lhes resta um tanto de flores, um canto de pássaros. Mas isso não basta pra vida inteira.
A Morte sempre teve pouco a oferecer. Uma foice, acidente, queimadura para os mais pecadores. Já a Vida... Ela tinha uma vida de coisas a oferecer. Tomada pela modéstia, coitada, quase não percebia que se não fosse ela até a Morte teria morrido.
-mas não se cansam de ser tantas coisas?
-Vida ruim, Vida boa, Vida mansa... Quem dera Morresse.
E pra que chama-las se nem ao menos as conhecem?Que entende da Vida essa ciência que mede tempo?Que sabe da Morte esse criador que jamais sentiu o peso de se ser mortal?Ah, me poupem.
Nem tempo tiveram pra admirarem.
Nem mesmo vocês se admiraram, Vida e Morte.
Vida sempre presa no mistério negro da Morte, confusa e colorida.
Morte se perdendo nas cores da Vida.
Mal puderam se olhar direito. Talvez, se tivessem se olhado e se fundido em uma coisa só, a eternidade seria concebida. Não na forma carnal como podem sugerir, mas fruto do silêncio. Por que aquilo que se instala no caos não lhes serve pra nada, a não ser para impor limites.

E que tal seria o inverso?Se talvez a Morte fosse dada a todos como se o fim viesse primeiro, e logo depois a Vida surgisse cheia de... Cheia de vida... Que tal seria?

domingo, 14 de fevereiro de 2010

Desabafo.

Não sei se alguém andou percebendo,e se sim não me surpreenderia,mas sentimentos estranhos me assolaram ultimamente.Na verdade,muitos deles.O susto e a saudade,no entanto,parecem caminhar juntos nessa minha trajetória pequena de 17 anos e,de novo,sinto que algo aperta aqui dentro.No ônibus,enquanto chorava e via um sonho se distanciar ainda mais,pensei que fosse o cinto de segurança.Soltei um pouco,na esperança de desprender a cintura.Chegando em casa – nova casa – cheguei a pensar ser um problema fisiológico talvez,gastrite atacada ou coisa do tipo.Mas não meus amigos,era saudade.Pra falar a verdade já havia me acostumado tanto com ela nestes últimos 4 anos que não pensei que fosse ser assim.Até mesmo nas minhas últimas horas,enquanto jurava amor eterno e amizade incondicional não foi tão intensa a dor.Mas ali,naquele ônibus,e ainda hoje e em todos os outros dias que se seguiram,parece que a D. Saudade me pegou de jeito.Me abraçou no estilo digno de um tamanduá bandeira,se é que me entendem.E alguns se assuntam tanto quanto eu ao ouvir ou ler isso,eu sei."Mas de novo?Ela não se acostumou?Não é a terra dela?"Pois é,ai que entra o susto.
Eu também pensei que tudo seria bem mais fácil,afinal,estou andando em nuvens teoricamente.Vida mansa,vida boa.O que mais querer?Mas não.Sabe,esse cantinho de concreto ai,agora tão distante,me ensinou muito mais do que o jeito paulista – o qual me cabe muito agradecer,afinal.E eu nunca imaginei que o cinza daí me mostrasse tantas cores,mas mostrou.
Quebrou tabus,poetizou,cantou,sambou,bebeu,alegrou.Fez muito mais do que eu podia esperar.E agora eu to sentindo uma falta do tamanho do mundo.

sexta-feira, 22 de janeiro de 2010

Cabelos e olhos - menino mistério.

Esses fios,que se confundem aos meus,embriagados e molhados pelo suor incosequente da manhã pé-de-cachimbo,modelam o mistério que se esconde por detrás destes olhos esprimidos que insistem em apagar a luz e fechar as cortinas.
E eu,pobre coitada,lutando para tê-los meus.Buscando através de sombrancelhas,cílios e íris,descobrir o que se esconde aí,menino mistério.Sedenta por suas histórias...Falante incoerente que te cobre de palavras avulsas que de nada interessam.
Ah!,mas me dá dó.Menina de cá querendo menino daí;fingindo para os de lá que nem está aqui.Coitada,nem sabe o que quer - E que amarelo sem graça vocÊ foi se envolver,heim menino?!
Mas voltando aos cabelos,sabia que me impressiona a precisão divina e genética?Por que se feitos lisos e lambidos,como aqueles que outrora lutavam meninas cor-de-rosa para ter,não haveria tamanha demonstração da seu eu.Ou você pensa que está tão protegido assim?O que se esconde em palavras e gestos se faz em cachos bagunçados e desordenados como os meus pensamentos de menina.
E seus olhos não negam a beleza guardada.
Timidos e pequenos,eles preservam a maravilha misteriosa de ser o que se é.Carregm em si vestígios de uma alma quieta,quase inexistente,sentada encolhida por detr´s do coração que de longe parece nem bater.Mas você não aguenta menino mistério,e se desfaz em risadas.
-Quem é essa que tenta te acordar,alma calmaria?
E quando ri,seus olhos se espremem ainda mais.Sua alma quase que não se aguenta nesse peito branco seu.Mas você fica firme,se segura antes que eu veja demais.
Mas talvez esse mistério não tenha nascido para ser desvendado mesmo.Ele deve ser suposto,sentido,cheirado e beijado.Mas nunca preso!Isso não!Se firmado na palma da mão ele se esvai por entre os dedos.
Como se tentasse aprissionar fumaça,entende menino mistério?

sexta-feira, 4 de dezembro de 2009

E ela já não sentia nada.

De rainha e de plebéia era feita sua pele
Que preguiçosa se deitava sobre lençóis encardidos de amor
Que pequena se jogava ao vento na esperança de voar
Sem asas, sem cor, sem nada...
Espreguiçava-se.
Jogava-se contra a parede na esperança de acordar e ia até a padaria com o gosto amargo do sonhar
Leite com café.
Café com pão.
Pão com manteiga.
Fruta, mel, abelha.
Levantava com o peso de uma pluma e quase que sentia o vento descobrir-lhe nos esconderijos
Oi João, oi Zé, oi Carol, Maria, Carlos, Eduardo, Luis e Luzia.
Oi vida que me esmaga em ser, oi morte que me desfaz em curiosidade e medo.
Ela era linda, como era.
Era feita, completa, destraçalhada que estralhaça. Era puro paradoxo. Era amor, ódio
Era perdão e culpa. Era felicidade banhada em tristeza.
Era vida.
E se acabou no décimo andar. No pé do décimo.
E dizem que sentia o vento descobrir-lhe nos esconderijos.

-Bem vindos, bem vindos à vida eterna!
Entrem como quiserem e se entreguem ao prazer!
Aqui tudo pode nada é proibido.
Aqui onde os medos não te deixarão, onde o prazer é regido no sempre e o nunca não tem lugar.
Cheguem, sentem-se e se sintam a vontade.
Peguem do doce, do salgado e se lambuzem,meus queridos

Ah, doce ilusão!

Pobres homens e mulheres que queimam nesse canto do anti-paraíso.

E ela sentia o fogo descobrir-lhe os esconderijos.

segunda-feira, 23 de novembro de 2009

Papo de máfia,conversa de bar.

Ao batuque do seu som sinto meu corpo se mexer, e como à outra mafiosa, a máfia me consome também. A sementinha já foi plantada e já cresce, e as conversas atravessadas de bêbadas que sonham mudar algo já fazem parte do meu cotidiano. Assim como os olhos, o cheiro e os cabelos de cada uma. E quando estamos juntas, as vozes parecem cuíca e as pernas são como árvores... Fixas na esperança de não se distanciarem muito umas das outras, ainda que na copa o som da vida faça-nos balançar de um lado pro outro. E os cabelos, ai, os cabelos!Uns tão escorridos quanto a queda da Casca D’anta lá das minhas Gerais, outros revoltosos como seu choque depois de metros despencando e outros tão serenos quanto o poço onde o corpo nu se esvai.
Ah!E nada melhor do que uma máfia...o grito Italiano tem mesmo tudo haver conosco!A mama, a massa, o vinho (tudo bem, por enquanto Le Itaipavi- cerveja do João). Mas o conjunto é lindo, é música, é peça e é vida...
Já devo ter comentado a respeito da minha paixão por grupos. Por que quando juntos, eles são completamente completos, e sim, ouso a usar de redundância para isso. Incrivelmente completadas por uma alegria e cumplicidade que chega a contagiar.
E agora, entregue aos braços da máfia, só penso em como será o próximo samba.Só quero saber das gírias,das conversas,das aulas (?) e de todo o mais que acompanha cada uma de vocês.Agora me entrego de corpo e alma,mais alma que corpo,convenhamos,à esse mundo que me foi apresentado.
Agora,e puco me importa o antes e o depois,eu quero ser o corpo que se esvai nu na cachoeira desses seus cabelos.

domingo, 1 de novembro de 2009


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"Não me deixe só
Eu tenho medo do escuro
Eu tenho medo do inseguro
Dos fantasmas da minha voz"

terça-feira, 27 de outubro de 2009

Praquele moço do "des"...

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Será que você estava mesmo certo desde o início?Por que agora, parando pra pensar e olhando pra trás nesse meu mísero passado, percebo que talvez eu seja mesmo esquisita e sem coração. Não que eu tenha nascido já sem ele e muito menos ele perdeu suas funções biológicas. Do contrário, não seria eu quem escreveria aqui neste momento vivo. Mas digo o coração abstrato, escondido, doído... Este já não me lembro mais. Será praga sua?Dele?Do outro?Será praga minha?
Talvez não tenha um responsável... Foi só meu passado pequenino.
Mas eu juro que já foi diferente. Por Deus!
Juro pelos santos e anjos que já me acompanharam e quer por vez se mostram distantes – ou seria eu?-Juro por todos eles!

Em pensar que falava do teu nome antes mesmo de conhecê-lo.
Em pensar na flor.

Mas cada momento que passamos, cada briga, cada abraço, cada choro, cada insulto seguido de beijos... Tudo foi num momento que ainda estava viva. E desculpa se morri no momento errado.
Desculpas peço a mim mesma tembém... Como pode alguém morrer e renascer pra um mundo tão diferente?Quanta mudança coube nesse novo coração que está a surgir no meio do lamaçal deixado.
Talvez devesse ter lhe dado a chance de brotar (rebrotar) nesse mangue de pensamentos e esquisitices. Mas não poderia deixar algo tão próximo adentrar mais. Você já estava muito dentro de mim pra isso, meu bem.
Tive de deixar isso pro novo, que o faz com um esforço tremendo. Que chega a quase afogar aqui, onde você sempre nadou tão bem.
Tive que dar abertura a quem não conheço e a quem estou conhecendo.
Fugi do pecado deitando em outro,pureza minha.
E me pergunto: Onde eu sou diferente do meu pior pesadelo?Será que ainda estou a dormir?
E nego. Nego a esquisitice, a criancices de adolescente que pensa que viveu muito. Nego tudo e assumo só o “quis assim. melhor assim”.
Mas você não mereceu assim; eu não mereço assim.

E tem o Desamor... Sempre gostei dessa palavra. Talvez mais do que amor.
É desfazer, desprender, suspender o amor. É cômodo. É como se realmente eu pudesse escrever minha vida - assim como sempre quis fazer, mesmo fora de blogs e folhas rabiscadas-, e eu adoro essa possibilidade de apagar imperfeições e reescrever. Passar um backsapace naquilo que me atrapalha e esquecer.
Mas o desamor é ilusão, oras. Por que se quer saber, é impossível esquecer.
Assim como é impossível fazer você parar de participar das minhas histórias, minhas risadas, minhas músicas e palavras. Vai além do amor de um homem e uma mulher – ou seria o amor de duas crianças amedrontadas?
O desamor é um poder teu.Sempre fora.
Desamor.
Desamarrar. Desamarrada. Desamassada. Desabrochar. Deslembrar.
Isso, me deslembre de tudo e qualquer coisa. Ou isso, ou traga de volta aquela outra.A de antes que não te temia tanto.
E agradeça por me desnamorar, me desfazer, me desdenhar. Você é que está melhor do lado daí. Sem essas esquisitices de gente estranha, como você mesmo diria.

quinta-feira, 22 de outubro de 2009

Peyote

Lucy in the sky with diamonds.


Com aqueles olhos pequeninos ela jamais poderia enxergar o que realmente estava acontecendo. Mas era lindo, colorido, completamente liberto de qualquer maldade.Era como se seus olhos fossem caleidoscópios.
Ela dançava e sorria... Ela amava e isso era completamente inovador pro coração daquela pobre índia do Atacama. Seu avô fora chefe da tribo, e agora era seu irmão quem comandava aquele povo, hoje já sem esperança. Mas ela ainda lutava!Ela sabia que a vida podia ser diferente do que contaram-lhe os sofredores e reprimidos...
Pq ela sabia andar entre areia e peyotes...
Ela encontrava a paz no sol quente que escurece a pele e o coração. E ela se inebriava!
Era meio índia, meio branca. Carregava o nome da América. Era Lucy.
Ninguém jamais a quisera como amiga... Como poderia uma índia assim?De onde viera?Seria praga dos deuses?Castigo?
Ah!Pobre Lucy!
Mas ela não se importava mais, pq agora tinha sua vida imaginária, que era muito mais interessante que aquela outra do povo, e podia sorrir quando quisesse. A angustia não fazia parte de seu corpo, pq agora ele era livre.
Ele era flor, era ave, era tigre, era porta aberta. The doors.
E a curiosidade pela morte foi trocada pela vida. E o medo da vida substituído pelo prazer de viver. E o povo, a América e a caça... Fodam-se!Era isso que dizia Lucy.
Pq pra ela pouco importava se sua pele era mais clara e haviam flores laranjas saindo de sua cabeça... Ela era tudo, poxa!Não pode?Não se pode ser tudo e todas as coisas ao mesmo tempo?Pq ela era rainha, índia, cacto... Ela era azeda, muito ácida. Mas era doce, como a Ana.
E quando ela rodava, o mundo parecia rodar junto. E quando ela caia um terremoto se alastrava pelo mundo. E quando ela sorria... Ah, quando ela sorria... O mundo inteiro parecia sorrir. Mas quando ela chorava pobrezinha, todos estavam com a foice ao seu lado. Todos.
E gritava sem parar:
-Tudo vai dar certo!
-Gloria, gloria, gloria!
Até chegar o fim,e ela voltava a ser o de antes.
Ele não era seu amigo.Ele era o fim.
E no oeste,tudo era melhor.

terça-feira, 20 de outubro de 2009

Não seja tão má,Amanda.






Missed Me
Dresden Dolls
Composição: Amanda Palmer

missed me missed me now you've got to kiss me
if you kiss me mister i might tell my sister
if i tell her mister she might tell my mother and my
mother, mister, just might tell my father and my father
mister he won't be too happy and he'll have his lawyer
come up from the city and arrest you mister
so i wouldnt miss me if you get me, mister, see?

missed me missed me now you've got to kiss me
if you kiss me mister you must think im pretty
if you think so mister you must want to fuck me
if you fuck me mister it must mean you love me
if you love me mister you would never leave me
it's as simple as can be!

missed me missed me now you've got to kiss me
if you miss me mister why do you keep leaving
if you trick me mister i will make you suffer
and they'll get you mister put you in the slammer and forget
you mister then i think you'll miss me won't you miss me
won't you miss me

missed me missed me now you've got to kiss me
if you kiss me mister take responsibility
i'm fragile mister just like any girl would be
and so misunderstood (so treat me delicately!)

missed me missed me now you've gone and done it
hope you're happy in the county penitentiary
it serves you right for kissing little girls but i will visit if you miss me
do you miss me? MISS ME??
how's the food they feed you??
do you miss me
will you kiss me through the window?
do you MISS ME? MISS ME??!!
will they ever let you go???
i miss my mister so!!!!

quarta-feira, 14 de outubro de 2009

Tem dias que a gente se sente...

Hoje acordei um pouco Kurt. Coração de Vinicius, querendo todo amor. Unhas do Zé do caixão, unhando o coração apertado de saudade.
Hoje abri os olhos de ressaca de Capitu. Quis ser Elis, tocar Mozart.
Hoje eu queria ser tudo.
Escolhi roupas de Janis; troquei por Paula Fernandes. Fui hippie e fui da terra.
Hoje clamei Cazuza – coisa que nunca fiz -, sambei Cartola, dancei The Doors.
Senti-me até meio artista macaco.
Hoje quis ser, quis ter...
Hoje quis sarar a dor, provocar o mal, destruir a saudade e voltar pra lá, acolá, do lado de lá.
Hoje quis beijos e sorrisos, choros e barulhos sem fim no silêncio infinito.
Hoje me permiti à incoerência, a inadimplência, a presença do mau-humor constante e inexplicável.
Só hoje...
Por que como seria diferente agora tão longe?
Como poderia não me camuflar em artistas, agora que esse corpo de menina chora de vontades?
Bom, deixe-me então terminar meu dia inventando... Ainda há tantos que quero ser.
Quero um pouco de Amelie, outro tanto de Alice e uma pitada de Pequeno Príncipe.
Deixo lugar também para Rita Lee e seus cabelos de fogo, que me abrem espaço à Kate Nash.
Sou Fátima Bernardes, William Bonner, Evaristo Silva...
Sou o analfabeto da esquina... Sou o crack, o crash e o remédio.
Sou inteira lexotan e homeopatia. Anfetamina. Paracetamol. Sépia.
Hoje não quero ser a dúvida e nem a indecisão... Quero ser tudo ao mesmo tempo.
Pra trazer vocês pra mim, meus queridos. Pra quebrar essa estrada, esse passado, esse tempo linear irritante que me assombra.

sábado, 26 de setembro de 2009

Descanso

Se acaso me encontrares
Escondida em jazida escura
Lembre-se de que foi meu ouro,
procure por minha tumba

"-Aqui jaz pobre coitada
que morreu sem mais demoras,
que pelo amor foi apedrejada
e à sete palmos está agora."

Escrito em palavras sólidas
de dourado e curtas letras.
Epitáfio de alma cálida
cercado por rosas negras

Ah!Se em vida eu estivesse,
se pisasse em firme chão,
ainda arrastaria dias por este amor.

Por que não há beleza se não em ti.
Nem mesmo a luz que se aproxima,
que irradia a minha sina,
é capaz de me inebriar

E quis teus risos,tuas histórias,
teu poema e tua flor.
Quis teus cantos de amor
pra contar-lhe minha memórias

Quis ser harpa dedilhada
Ser alimento e ar...tua vida.
Ser tua mulher,sua amiga,
ser amante e ser amada

Mas me julgastes meretriz!
E tão pouco me quizestes
pra em sua cama me deitar.

E tamanho foi o desamor
que do amor fiquei cansada
e aterrada fui descansar.

quinta-feira, 10 de setembro de 2009

Jeito de mato.

Come se fossem intermináveis as férias e/ou feriados seguem por dias, e dias, e horas... Se permitem o desfrute de se eternizarem. E é nesse ponto de pseudo-sempre que surgem as vontades espremidas no cantinho da alma, junto das tais conversas passadistas familiares. Não que isso seja pecado, muito pelo contrário, me parece uma ótima ocupação, mas um tanto quanto decadente. Isso por que somos - nós filhos da tradição e do pão de queijo - construídos de desejos reprimidos e vontades transformadas em piadas. Também temos o doce e o melado da fala mansa, e digo com orgulho. Mas a casa ainda é assassinada pela moral interiorana.

Ah!Se pudesse acho que todos gritariam suas poesias, fantasias e músicas. Declarariam fetiches aos velhinhos do coreto e mergulhariam em uma overdose de alma, diferente desta que tenho visto nas Minas Gerais. Se coubesse nesse tal canto de terra roxa e mato, diriam sobre seus mitos, fantasias e da extrema admiração pelo impossível. E no meio do gado e da baquiária se assumiria o “eu” que mata e sangra o costume dos baianos cansados - mas trabalhadores, que fique claro. Inteiramente desproporcional e indireto.

Mas mesmo com o amargo no fim do doce de figo eu sei que eles gostam... Eu gosto!O frescor do passado. As lembranças, as certezas incontestáveis (agora contestadas), a nostalgia que surge sempre depois de uns goles a mais – e vem carregada de “uai”.
Pode até ser que Drummond estivesse certo ao dizer: “Há os mineiros que ficam e os mineiros que vão”. E realmente, muitos não se adaptarão novamente a casa amada com cheiro de mato... Mas não se esquecerão e, com certeza, apagarão as más lembranças.
Lá, nos meus breves momentos, finjo sem fingir. Me entorpeço no doce azedo da vida, quase uma coalhada, e posso ser quem não sou sem gastar grandes ursupações. A incrível naturalidade de ser quem se deve ser, pensar o que se deve pensar e falar somente o agradável (seguido de “uai”) acontece. Vem de dentro e estoura, fascinando de fora.
Traumas de tradição não destroem o orgulho do pé no chão não, Drummond.

terça-feira, 1 de setembro de 2009

Versos (es)corridos.

Mão-pedra,cai no chão
liberta esse pobre coração que não sabe amar
que samba sozinho no samba pra dois
que anda trôpego por só se calar

Segue caminho de trem
vá como quiser,mas paire longe desse coitado coração
Não vês que está zangado?
Entregue sem perdão?

Se corte na navalha
se queime em brasa quente
Apenas se jogue de um precipício,óh minha querida.

Não ouse se aproximar da boca
Se contenha em unhas e dedos
suma antes que o coração se perturbe
antes que a alma te reconheça e fique louca.

Céu cinza,coração?
é a mão que tapou o sol.
são os dedos que escoam dor.
é o nojo que raia o dia.

Retrato de um passado ou personificação da Morte.

Ao que me parece está começando de novo.A ânsia que vem do ímpeto,a gastrite cardíaca,o nojo ocular e do tempo.Não deveria me atrever a escrever tão cruelmente sobre algo que deveria representar poesia,afinal,existe sentimento mais poético que a dor?O desamor?Receio que haja a Morte,frenética e charmosa dona dos pensamentos mais sublimes e macabros (morte macabra...soa um tanto redundante,não?nemumpoucobonito.)

Estive pensando quanto a cor e o cheiro desse papel virtual em que escrevo.Não que ele exale algo,mas já é de se imaginar que alguém que ama palavras,como eu,se entregue à sinestesia.
O cheiro da dor.O cheiro do desamor.O cheiro do ralo (me parecem tem esquecido do cheiro da Morte.Mas há quem se lembre.)

E por incrível que pareça o cheiro tem um lugar.O grandioso amassado de cimento que me afasta da boca do bueiro é tão próximo que ás vezes minhas pernas tremem.Este enorme cinza que barra o meu vermelho (que acaba por se reproduzir aqui.)Vermelho da terra que sustenta meu campos,todos,os gerais.(ou seria terra roxa?).
E tem o preto do barulho,da sua proteção e locomoção,oh Morte!

E chega de mansinho dessa vez...na madrugada embaça meus olhos e eu sei que está por perto.Muito mais que perto.Dentro de mim.Mais precisamente ao lado do canto que solta o fedor da dor e do medo.

Eu só não quero sair da linha,senhora (or) Morte.

segunda-feira, 17 de agosto de 2009

Desmanche seu sorriso,mulher-maravilha!

Nina já não sabia mais como se apresentar as pessoas. Como tudo em sua vida, achava incrivelmente chato ter que dizer esse pequeno nome com o sorriso estampado na cara (como era simpática nossa Nina menina),sendo que por dentro permanecia em pedaços;pedaços intocáveis,que fique bem claro.
Seu nariz parecia deixar vazar aquele incrível vazio que sentia por dentro... Contava seus segredos desenhados em sangue de uma forma que tornava quase impossível estancar.

Aquele rio vermelho que escorria e que por tantas vezes desejara ela sair de suas mãos... Ah, O rio vermelho com gosto de desamor e vadiagem...

Mas se negava a sentir seu gosto. Mais próximo que chegava à boca já era motivo de correr, se cobrir de papel higiênico barato e matar o sinal da morte; jogar aquele sangue amargo de volta para onde jamais deveria ter saído. De sua alma; de seus olhos não tão serenos. O sangue do seu passado não tão antigo; passado de vítima, passado de puta,não é mesmo Nina?

Nina não gostava da não força, preferia parecer sempre super-mulher. Aprendera a ser assim, e é assim que pretende viver até aceitar o super-homem, partir para smallville, prender todos super-vilões, ter super-filhos, e talvez não se sentir super-puta.Quem sabe assim esqueça seu super-passado e se torne super-feliz.Porque neste momento,pobre Nina,sua bochechas doem de forçar sorriso e seu braço é pesado.Peso da mão.Maldita mão.Pra que servem se não para acharem que sabem mostrar o caminho e direcionar o corpo e a alma?Prepotentes, isso que elas são. Prepotentes e de cinco dedos. Gananciosas.

Oh Nina, você precisa de um abraço?Talvez não seja isso. Quer dinheiro?Estudo?
Deixe-me então disfarçar seu sorriso, laciar seu rosto, amolecer sua pele?Amputar suas mãos?Cubra-me de sangue e de lágrimas Nina,e deixe-se vazar de dentro pra fora desta vez.